31.5.09

Há Rosas que não murcham

(link para a BBC em português do Brasil)

Para saber mais:
- O artigo na Wikipédia sobre Rosa Luxemburgo.
- Do Arquivo Marxista na Internet, várias obras de Rosa Luxemburgo em português.


"Aqui jaz
Rosa Luxemburgo,
judia da Polónia,
vanguarda dos operários alemães,
morta por ordem dos opressores.
Oprimidos,
enterrai as vossas divergências!"

Epitáfio de Rosa Luxemburgo
(Bertolt Brecht)

27.5.09

Este Sábado... a não perder!


ANARCO-SINDICALISMO EM DEBATE
Com a presença de companheiros da CNT-AIT de Jaén (Andaluzia)

30 de Maio – 16h – Centro de Cultura Libertária
Rua Cândido dos Reis, 121, 1º Dto. - Cacilhas - Almada

organizado por:
Associação Internacional d@s Trabalhador@s - Secção Portuguesa
http://ait-sp.blogspot.com/

Aqui está uma boa pergunta

As brasas do cavaquismo ainda fazem sentir o seu calor subterrâneo.
Sim, Sócrates é um político sem palavra, com um discurso ao sabor do oportunismo e agachado aos interesses dos poderosos, mas só os mais distraídos ou mal intencionados podem esquecer que o pai do monstro que agora herdamos tem nome e foi premiado com a presidência.

26.5.09

Já fazia demasiado tempo!


Sempre que me deixava embriagar pelo "La llorona" ou pelo "The living road", não deixava de me perguntar "o que andará ela a fazer? porque razão nunca mais fez nada?"
À excepção de uma musica para um filme que achei a navegar pela net, não conseguia saciar esta minha sede, até que, este mês, deparei-me com a melhor resposta possível, Lhasa de Sela lançou um novo álbum de originais!

Para ouvir excertos do novo álbum clica aqui.

Para ouvir algumas músicas completas deste álbum e dos anteriores clica aqui (myspace).

Deixo-vos também o lindíssimo video do single de lançamento, feito pelos ilustradores e animadores de Montreal Alex McLean e Kathleen Weldon, que por sua vez também fazem muito boa música, são membros da banda Rothschilds http://www.myspace.com/therothschilds (clica para ouvir).

FantasBloco "de tirar o sono..."

Os três filmes fazem parte dos tempos de antena do Bloco de Esquerda.
“Fantasbloco” é uma série de histórias “de tirar o sono”, como avisa na apresentação o actor António Capelo. Precariedade, saúde pública e Tratado de Lisboa são os temas destes 3 filmes, a cargo de uma equipa de jovens autores que colaboram gratuitamente com o Bloco de Esquerda. Com realização a cargo de Manuel Pureza, produção de Bruno Cabral, fotografia de Vasco Viana e montagem de João Salaviza - recente vencedor da Palma de Ouro de Cannes com a curta-metragem “Arena”.

Para quem se indignou com a brutalidade dos filmes, deveria antes indignar-se com a realidade em que nos fazem viver com períodos de trabalho experimental abusivos, falsos recibos verdes e contratos semanais.
Sem subsidio de desemprego lembro-me sempre do “Música no Coração” e do “Serenata à Chuva” quando não tenho para pagar a renda.

Esta “realidade” a que nos obrigam, (mesmo com menos 15.000 desempregados), ainda é mais chocante e brutal!







22.5.09

Mais um ciclista que morre vítima da tirania do automóvel

“O Setubalense” dá conta esta sexta-feira da morte de mais um ciclista nas estradas de Setúbal. Segundo a notícia, o condutor terá fugido e não foi identificado.
Não é sobre o pormenor criminoso de fugir deixando uma pessoa agonizante no asfalto que me vou debruçar, porque os assassínios são casos de polícia.

Pelo que me tenho apercebido, se a ultrapassagem “à tangente” tem atirado muito ciclistas para a valeta e para o hospital ou mesmo para a morgue, o caso-tipo do acidente que mais vitimas faz entre os ciclistas é o da que não sinalização da sua presença aos veículos que vêm atrás por parte do ultrapassante automóvel.
Se é de Ignorância e Estupidez que me lembro quando vejo as ultrapassagens rés-vés que se fazem aos velocípedes (a esta gente nem lhes passa pela cabeça o que a deslocação do ar faz a um veículo tão leve como uma bicicleta!), o outro caso, o hábito luso da não utilização do o "pisca-pisca" para indicar ao condutor que vem atrás a presença de alguém ou alguma coisa na via, devia ser considerada uma manobra tão perigosa que o seu autor fosse proibido de passear a chapa na via pública.

A falta de sinalização dos "obstáculos" na via é ainda uma prática que também tem vitimado muitos peões que se deslocavam à beira das estradas. E não será alheia à morte de muitas pessoas que se deslocavam em peregrinação religiosas.

Esta característica da "guerra civil" que ocorre nos nossos asfaltos é tão vulgar que dou comigo a pensar com os meus botões que muita gente deve estar convencida que aquelas luzes que acendem e apagam, e aquela manete que as activa, são instaladas nos automóveis apenas para lhes aumentar o preço.



É ainda com o (des)equilíbrio entre os carros e as pessoas que continuo. Há mais um artigo no trissemanário sadino que tem a ver com "rodas", desta feita sobre a preocupação com o estacionamento no centro da cidade de Setúbal por parte dos partidos representados na vereação da câmara.

Depois das obras do Polis de que resultaram três faixas de rodagem na Avenida Luísa Todi, a Câmara Municipal de Setúbal (PCP) acabou por reservar numa parte da avenida uma das vias para estacionamento, a pedido dos comerciantes dizem, e "só enquanto não há dinheiro para o silo" à beira-mar - mais carros no centro, portanto. Por seu turno, a oposição (PSD e PS) cavalga a impopular “falta de estacionamento”.

Nem por um momento passou pela cabeça dos partidos do governo e da oposição que Acessibilidade ao centro não é sinónimo de parques de estacionamento. É de “pescada de rabo na boca” que falam, porque quantos mais parques de estacionamento fizerem mais lugares serão precisos, por uma simples razão: a expectativa de estacionar junto ao lugar de destino fará introduzir na cidade ainda mais automóveis. Transportes Públicos decentes e de preço convidativo em Setúbal ... O qu'é qu'é isso?

Com mais ou menos lugares de estacionamento, o Automóvel mantém a sua ditadura sobre a qualidade de vida e a mobilidade no centro de uma cidade que não foi construída para o tráfego que actualmente percorre as suas ruas. Setúbal, um caos em horas de ponta e horas redondas.

Apoiada pela saloiice política que governa a câmara e os que lhes invejam o lugar, a escalada da apropriação do centro da cidade pelos automóveis continuará a ser acarinhada. Basta dar uma vista de olhos pelos passeios de Setúbal, ocupados pelo estacionamento selvagem, para constatar que peões, deficientes motores e carros de bebés não constam das preocupações governativas e oposicionistas municipais.

E também da PSP. Enquanto a polícia vai perseguindo a sua quota obrigatória de multas através dos incautos que passam a mais de 50 quilómetros por hora na única via de Setúbal com duas faixas separadas, onde há passagens desnivelas de peões e não há cruzamentos, a variante Nacional 10/Estrada dos Ciprestes, vai-se morrendo atropelado noutros locais da cidade por excesso de velocidade e desrespeito de passeios e passadeiras de peões.

Autoeuropa. Moralistas sem moral nenhuma.

Porque estou completamente de acordo com o seu teor, transcrevo aqui a nota enviada à imprensa pelo Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda sobre a situação na Autoeuropa.
Abro aspas:

Nota do Bloco de Esquerda sobre as declarações de
Belmiro de Azevedo e de Manuel Pinho acerca da Auto-Europa

Belmiro de Azevedo veio ontem somar-se ao Governo e exigir aos trabalhadores da Auto-Europa que cedessem quanto ao fim do pagamento de horas extraordinárias ao sábado.

A posição do Governo é muito grave. Depois de ter feito aprovar o Código do Trabalho, o Governo quer agora que os trabalhadores se submetam a qualquer ditame das empresas, perdendo os seus direitos salariais e acabando com as normas do horário de trabalho. Acontece ainda que, na Auto-Europa, a produção está a menos de metade da capacidade instalada: não há nenhum carro que tenha que ser montado ao sábado. Esta exigência da administração é unicamente uma forma de subjugar os trabalhadores.

É aliás por isso que Belmiro de Azevedo se soma a esta chantagem. O patronato demonstra assim que quer aproveitar a crise para liquidar um dos direitos dos trabalhadores. Esta chantagem é uma declaração de guerra contra os trabalhadores.

O Bloco de Esquerda manifesta a sua solidariedade para com os trabalhadores da Auto-Europa, na defesa do seu salário e do seu horário de trabalho.

O Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda

21.5.09

Agenda (Prima Folia, Cooperativa Cultural)

HOJE:
21 de Maio, quinta-feira, às 21h30

Apresentação de um documentário sobre As Revoltas Gregas,
Lefteria Liberdade, de Tiago Afonso,
seguido de debate com José Soeiro.

Na Academia Problemática e Obscura
Rua Henrique Cardoso Nº30/34
junto à sede da Junta de Freguesia da Anunciada, em Setúbal

No mesmo local,
AMANHÃ
:
22 de Maio, sexta-feira, às 21h30

No ciclo Conversas Alternativas sobre a Modernidade:
Os Caminhos do Cinema em Portugal no Futuro,
com Lauro António e Leonardo Silva


NA PRÓXIMA SEMANA
:
29 de Maio,sexta-feira, às 20h00
Jantar das Conversas Alternativas sobre a Modernidade
A Identidade na 4ª República
com Carlos de Sousa e Patrícia Trindade Coelho

Agenda (Câmara Municipal de Setúbal)

(clicar para ver o programa)

Agenda (Câmara Municipal de Setúbal)

(clicar para ver o programa)

14.5.09

Algo sobre o bairro da Bela Vista

O meio-ambiente faz o indivíduo. Está bem, “não apenas”, mas continua a ser determinante. A não ser que se considere que um indivíduo não é mais que uma herança genética identificada pela pigmentação da pele. Se assim for, deixem cair a máscara, cheguem-se à frente e levantem o braço, deixem sair o ódio que vos oprime. Para que possamos esmagar-vos os dentes antes que mordam os demais.

Há pessoas que de tanto viverem num buraco não consideram outra luz que não a da penumbra que lhes é familiar, são incapazes de levantar a cabeça e o punho e gritar que não querem viver ao nível da lama. São predadores, e os predadores só têm coragem de se fazerem aos mais fracos. Tal como os vermes nas fossas infectas, tiram partido do ambiente que infectam e não perspectivam outro mundo que não o seu buraco. Muito humanamente, adaptam-se, tiram partido e impõem aos outros o aconchego opressivo da sua lama a quem o destino faz partilhar o buraco. Para quem olha de longe com lentes de preconceito, os que vivem no buraco são todos iguais.

Os acontecimentos na Bela Vista têm como principais vítimas as pessoas que lá vivem, que querem viver, deixar viver e que gostariam que os deixassem viver. Não basta serem reféns de lutas por território de grupos, ainda têm de levar com o carimbo globalizador de “bairro problemático”. Seis mil habitantes, a maioria pobres economicamente, porque só um pobre de espírito se sujeitaria a viver naquelas condições com dinheiro para não o fazer. Uma tinta que nunca pegaria num qualquer condomínio fechado pago a peso de ouro, mesmo que se provasse morarem ali autores de saques mais elevados que o valor de todas caixas multibanco assaltadas pelos bandos da Bela Vista.

Quem comete um crime tem de ser julgado por isso, e cumprir pena de acordo. As pessoas da Bela Vista e arredores estão fartas de ver gente a ser detida num dia e a aparecer no outro, como se não se tivesse passado nada, ou que após a detenção apareçam com uma “escola maior”, porque a pena ou o internamento não serviram para mais do que a sociedade se vingar dos seus escolhos.

As pessoas estão cansadas de verem utilizar os mais novos como “escudos humanos” em actividades ilícitas de que os vizinhos são as primeiras vítimas, num jogo de integração grupal que tem os seus “heróis”. Quem deve integrar confunde ensinar a pescar com dar peixe e os mais fracos acabam abandonados a si próprios. Deixam que as serpentes choquem os ovos e depois queixam-se que saem víboras.

Sim, os miúdos, a esperança do bairro, os que ficam abandonados na rua porque os pais foram trabalhar na obra ou nas limpezas ou porque pura e simplesmente os pais lhes fazem o mesmo que lhes fizeram a eles. Os que até precisam de ser defendidos dos pais.

Os miúdos a quem os anúncios dos consumíveis à mão de semear e os modelos rascas da TV dizem mais que um professor ou alguém que queira fazer algo deles. O desafio dos que no bairro trabalham socialmente, dos que mendigam contra a indiferença das autoridades. Não é para todos.

Também não é para todos resistir quando a capacidade de acesso ao consumo (o que faz de nós “gente”) é inferior ao dinheiro ganho pela casa, quando se convive com a derrota diária de ver os pais num eterno ponto de partida, e as “vitórias” são uma espiral que se perde no calabouço.

Fazer com que os que “não têm outro remédio senão passar sem isso” passarem por meliantes, é uma ingratidão. Um desrespeito por quem quer ser gente num sítio onde até a arquitectura parece pretender o contrário.

Pior, o saber-se que a um preto que rouba lhe é negado o estatuto de “ladrão”. Preto”, ou “de cor” na “melhor” das hipóteses.

Para começar, que tal chamar “ladrão” aos pretos que roubam, tal como fazemos aos brancos. Ao fazê-lo estaríamos a dar um primeiro passo na “integração social” do bairro, por uma simples razão: tínhamos começado a ver o que sobrevive entre aquela arquitectura abjecta: Pessoas.

E, como é sabido, em todo o lado onde há pessoas, há-as boas e más. No bairro degradado da Bela Vista e nos condomínios milionários de Tróia.

8.5.09

"i" de irrelevante

Chegou às bancas e ao ciberespaço um novo jornal de nome "i". A mira está sobre a "classe média-alta e alta", apontam os seus promotores que não se fizeram rogados no investimento.

Tendo em conta que o panorama da imprensa escrita nacional faz lembrar os célebres detectives Dupont & Dupont da banda desenhado do Tin Tin, a curiosidade foi despertada.

Debalde.

Uma vista de olhos pelos títulos dos artigos e é notória a carrada de "fait-divers" e "notícias" que não o são. Eles lá sabem dos interesses culturais da "classe alta e média-alta".
A caixa alta é bombástica: "Patrões e Sindicatos Querem Menos Imigrantes". Eis uma novidade para quem julgava que os patrões adoravam os salários dos imigrantes e que os sindicatos quereriam era menos Emigrantes. Percebe-se depois de ler: "OS sindicatos" (assim, a modos que todos) refere-se afinal à central do Sr. engenheiro, o tal que assina tudo com o outro... engenheiro - mais um caso de Dupont & Dupont, mas desta feita com "Concertação Social" pelo meio.

No Editorial, acompanhando o tema da caixa, não falta o estereótipo acerca de como as forças políticas vêm os imigrantes, "Assim: a esquerda olha-os piedosamente como gente explorada por capitalistas impiedosos a quem tudo se desculpa; a direita como empregados precários que, mais cedo ou mais tarde, engrossarão as estatísticas do crime."

Pelo que se adivinha do primeiro número, este novo episódio da luta pelo mercado publicitário e pelo espaço opinativo do costume irá ter como consequência não mais que uma maior ginástica mental para a gestão do espaço disponível nos quiosques por parte dos vendedores.
Mais um desperdício de papel.

Se os intervalos dos Telejornais só dessem anúncios destes...

video

Última Hora: Tumultos na Bela Vista

Desacatos após funeral de jovem morto a tiro
Carrinhas da PSP atingidas por “cocktails molotov” no Bairro da Bela Vista
07.05.2009 - 21h51 Ana Afonso Nunes, com Lusa
Um grupo de pessoas lançou dois "cocktails molotov" contra carrinhas do Corpo de Intervenção da PSP que se encontra de prevenção no Bairro da Bela Vista, em Setúbal. O incidente ocorreu pouco depois das 23h00 de ontem, tendo sido apreendidos mais quatro engenhos do mesmo tipo, noticiou a agência Lusa.

Dezenas de pessoas concentraram-se ontem no Bairro da Bela Vista. Durante a tarde, apedrejaram a esquadra e a PSP acabou por disparar quatro tiros para o ar. Os desacatos aconteceram pouco depois do funeral de um jovem morto a tiro pela GNR.

O jovem de 20 anos,natural da Bela Vista, foi atingido, na semana passada, com um tiro na nuca durante uma perseguição policial depois de ter participado no assalto à caixa multibanco do Hospital Particular do Algarve. À tarde, dezenas de pessoas que compareceram no funeral “concentraram-se junto à esquadra da PSP e começaram a insultar os agentes policiais”, explicaram os moradores que testemunharam o incidente.

A PSP acabou por disparar quatro balas de borracha para o ar “com o intuito de fazer dispersar a multidão”, contou ao PÚBLICO um agente.

A Direcção Nacional da PSP admitiu que, de facto, disparou quatro tiros para “repor a ordem e acalmar os ânimos.

Três equipas do corpo de intervenção da PSP e mais quatro de intervenção rápida foram chamadas. E foi estabelecido um perímetro de segurança. Ao princípio da madrugada, a PSP mantinha no local um dispositivo policial reforçado junto à esquadra da Bela Vista.O lançamento dos dois "cocktails molotov" contra carrinhas da polícia não provocou danos.

Um incidente semelhante aconteceu há sete anos quando um jovem daquele bairro foi morto pela PSP. Um agente que na altura esteve no local explica que, à semelhança do que hoje aconteceu, “a esquadra foi apedrejada e os agentes insultados” tendo vivido alguns momentos “de pânico”.

Notícia actualizada às 00h28

5.5.09

Obrigado "Homem dos Desenhos Animados".


Vasco Granja
. Soube da sua partida quando andava a vadiar por aqui.

O "homem dos desenhos animados" preencheu-me muitas tardes de miúdo à frente da RTP. Foi da sua voz simpática e inesquecível que ouvi as primeiras traduções da linguagem dos desenhos em movimento, mostrou-me que por detrás das trapalhadas que me faziam rir havia trabalho sério, dedicação, muito amor. Queria (e no meu caso, conseguiu) transmitir o afecto por aquela estranha forma de arte concebida por adultos que recusam dar por concluída a sua infância.
Falava dos bonecos com paixão e fez-me ver muitos e de todas as paragens, porque os bonecos não são todos iguais, apenas a paixão que os faz mexer tem a mesma origem, no melhor que os Homens conseguem fazer aos outros Homens: fazer rir.
Aos miúdos que o ouvíamos à espera do insurrecto Bugs Bunny e do neurótico Daffy Duck tentou fazer germinar o sentido crítico, sem doutrinar. Lembro-me sobretudo daquele seu jeito de apresentar que traduzia um enorme respeito pelas crianças: os seus programas não eram para fabricar consumidores hipnotizados por imagens feitas a metro.

Muitos desenhos animados depois, via-o passar quase diariamente do muro onde me sentava para apanhar o ar de depois do almoço na cantina da fábrica, na Amadora. Recordo que a jornada que faltava cumprir se tornava mais leve, porque me lembrava que eu ainda era um puto. E enquanto se é puto há esperança. Mal dos que deixam de o ser.

4.5.09

Dimas Pereira e José Afonso

Foto de Dimas Pereira
Resistente antifascista,
militante comunista
e um dos fundadores do Círculo Cultural de Setúbal.

Em 2008, a maioria da vereação da Câmara Municipal de Setúbal (PS e PSD) recusou uma proposta da CDU para a atribuição da Medalha de Honra da Cidade a Dimas Pereira.
A mesma vereação que viria entusiástica e unanimemente a apoiar a atribuição da distinção ao cançonetista "Toy"... De qualquer forma, gente de todas as cores da Esquerda, já se havia antecipado.
Clicando abaixo, uma ligação para um
Blogue criado a propósito da homenagem
que lhe foi feita pelos companheiros do
Círculo Cultural de Setúbal, em 2007
.


Capa do disco que é referido pela Agência Lusa:

Frente e verso do single (para os da geração dos CD, o nome que se dá aos discos de vinil mais pequenos que trabalham a 45 r.p.m, rotações por minuto) onde Dimas Pereira colaborou com José Afonso tocando acordeão. Foi editado pela LUAR (Liga de Unidade e Acção Revolucionária), uma organização política armada que se dissolveu após o PREC .

Ampliando a segunda imagem, consegue-se ter acesso às letras das músicas que se tornaram hinos nas ruas de Setúbal nos idos da Revolução, tempos em que a "capital do trabalho" ostentava orgulhosamente o epíteto de "Cidade Vermelha".
A primeira canção, "Viva o Poder Popular" (letra e música de José Afonso) é a mais conhecida e já foi impressa noutros suportes.

Já "Foi na Cidade do Sado", a face B do disco, é uma raridade que, penso, não existe noutro suporte que não o analógico. Aqui José Afonso pegou num conjunto de quadras populares e musicou-as deixando para a História da Revolução Portuguesa o relato musicado do que foi o primeiro comício do PPD em Setúbal.

Em 7 de Março de 1975, este partido construído sobre as ruínas do antigo partido da ditadura (a ANP, Acção Nacional Popular, sucessora da União Nacional salazarista) escolhe Setúbal para fazer um comício. Devido ao manifesto envolvimento deste partido nas tentativas golpistas de recuperação do poder por parte do caciquismo ligado à ditadura fascista, o seu comício é considerado uma provocação pelas gentes da cidade de Setúbal.
Dos bairros da periferia a indignação desce à baixa e manifesta-se procurando boicotar o comício do PPD. Travam-se violentos confrontos que incluem uma forte intervenção policial que provoca um morto e dezenas de feridos entre os manifestantes, nove dos quais baleados. A ira popular obrigou à intervenção do COPCON para evacuar e proteger os polícias.

Falecimento de Dimas Pereira (actualização)

O funeral de Dimas Pereira é amanhã. Sairá às 11 horas da Capela da Nossa Senhora do Socorro para o cemitério de Aljeruz em Setúbal.
Exortamos todos os setubalenses com memória a estarem presentes.

Sem mais, a Notícia no site do semanário "Sol".

Cultura
Morreu Dimas Pereira, fundador do Círculo Cultural de Setúbal
Dimas Pereira, que ao lado de José Afonso fundou o Círculo Cultural de Setúbal (CCS) em 1969, morreu hoje nesta cidade aos 87 anos vítima de doença súbita, disse à agência Lusa fonte próxima da família


O acordeão de Dimas Pereira - militante do PCP e resistente anti-fascista - acompanhou José Afonso no single 'Viva o poder popular', editado em 1975 à margem do circuito comercial, pela Liga de Unidade e Acção Revolucionária (LUAR) e no LP 'Enquanto há força' (1978).
Tito Lívio, jornalista e que posteriormente se afirmou como crítico de teatro, e Carlos Tavares da Silva, director do Centro de Estudos Arqueológicos do Museu de Arqueologia e Etnografia do distrito de Setúbal, foram outros dois fundadores do CSS, um local de resistência cultural inicialmente localizado na Av. 5 de Outubro, em Setúbal, frequentemente vigiado pelo PIDE.
'Os Galés', 'Banda do Andarilho', 'D´tráz da Guarda' (Nome da rua para onde o CCS se mudou após o 25 de Abril), 'Os Amigos de Lagameças' e 'Os amigos do Kanto' foram alguns dos grupos que Dimas Pereira integrou.
Dimas Lopes Soares Pereira nasceu a 16 de Setembro de 1921 em Quelfes, concelho de Olhão.
«Tinha seis anos quando o pai, anarco-sindicalista, com sonhos que não cabiam no Portugal de 1926, pegou na família, deixou o Algarve e rumou a Marrocos», diz Victor Serra, no blogue que dedica ao amigo de longa data e ao lado de quem esteve vários anos na direcção do Circulo Cultural de Setúbal.
Casablanca foi a cidade onde Dimas cresceu, estudou e aprendeu a tocar acordeão.
Aos 21 anos regressou a Portugal, onde por quatro vezes foi preso pela PIDE.
Em 2007, um grupo de amigos prestou homenagem a Dimas Pereira, com um espectáculo musical no Fórum Luísa Todi, em Setúbal.
Numa carta ao executivo municipal daquela autarquia, esse grupo de amigos - entre os quais se contava João Afonso, sobrinho de Zeca Afonso - solicitava a atribuição da medalha de honra da cidade a Dimas Pereira.
Em 2008, o nome de Dimas Pereira foi proposto pelos vereadores da CDU para a atribuição da medalha de honra da cidade, proposta vetada pelos restantes partidos representados na vereação.
Dimas Pereira - cujo funeral sai terça-feira às 11h da capela de Nossa Senhora do Socorro para o cemitério de Aljeruz, em Setúbal - nunca se mostrou magoado com o facto, porque a sua «coroa de glória» - afirmava - era «ter gravado com Zeca Afonso».

Setúbal mais pobre

Morreu Dimas Pereira, um dos fundadores do Centro Cultural de Setúbal, noticia a edição on-line do "Expresso". Fica aqui a homenagem à memória desta importante figura da vida cultural da Cidade do Sado.

2.5.09

À procura de uma estalada sem sair decepcionado.

Post baseado na opinião manifestada na caixa de comentários do "Arrastão" a propósito da agressão ao candidato Vital Moreira na manifestação do 1º de Maio. Tratou-se de uma opinião a quente sobre o assunto, está escrita. Mas reitero: apesar de não ter dúvidas que o sectarismo do PCP é uma constante na sua prática política e que esta não dirige em exclusivo aos "inimigos dos trabalhadores", também não tenho dúvidas que Vital Moreira encontrou o que ia buscar.
Nota: o texto que se segue foi editado. Continha inclusive uma confusão entre Dias Loureiro e Ângelo Correia, este sim o autor da célebre "insurreição dos pregos" de 1982.

Qual foi a tónica do discurso de Carvalho da Silva?
Alguém se lembra? Não? Funcionou.
Não tenho dúvidas que o PCP é sectário politicamente, mas daí a responsabilizar o PCP pelo cena de hoje vai uma grande distância.
Podem acusar o PCP de criar o “caldo de cultura” para a ocorrência, e o caldeirão onde ferve a raiva pelo que o PS está a fazer aos trabalhadores, esse não conta?
Está bem, o Vital Moreira este ano foi ao 1º de Maio, está no seu direito. Como esteve no seu direito de não ter posto lá os pés nos anos anteriores.
É pena que alguém não tenha contido a raiva, ou simplesmente tenha feito o papel de idiota-útil para o cortejo de Vital e das câmaras que arrastava consigo - seriam as mesmas do Magalhães?
Não desculpo os impropérios agressivos aos candidato do PS, no mínimo porque lhe fizeram o jogo. O senhor já mostrou com os seus apartes que tipo de campanha vai fazer. Ele é um provocador.
Liguemos as coisas.
Aquela da manifestação da UGT parar 40 minutos devido a uma mala suspeita, tudo junto, mais a agressão ao Vital. Uma situação ocorrida hoje que só deu razão às afirmações do primeiro-ministro quando, refugiado numa ilha do Atlântico em “viagem de Estado”, se referiu às pessoas que participaram na última grande manifestação nacional.
Desculpem. É que me lembro do buraco na porta do apartamento de Torres Couto, a tal “bomba” por que pagaram os que criticavam esse “dirigente dos trabalhadores”- estúpidos de merda que só fazem bombas que estoiram na comunicação social!
E dos pregos da greve geral de 1982 nas mãos de Ângelo Correia.
E da estalada ao Mário Soares na Marinha Grande. Empresas fechadas e muita vontade de comer (não havia fome, dizia o homem quando era primeiro-ministro) e lá foi ele onde a igreja dizia o contrário. Uma estalada e foi presidente.
Anos depois alguém reconheceu que a estalada foi fabricada. Mas os suspeitos do costume não deixaram de pagar pelo acto.
Não tenho dúvidas que a prática política do PCP faz jeito a muita gente, mas daí a ter incendiado o Reichtag vai uma longa distância.
Se Vieira da Silva, o ministro das empresas de trabalho temporário, aparecesse numa manifestação de precários e despedidos pelo seu código de trabalho, eu mandava-o para o caralho. E depois, que faziam? Culpavam o Louçã?