30.9.10

"não sou racista, mas..."

Texto retirado da caixa de comentários de "O Setubalense".

"Ciganos". Viu? Foi fácil de escrever. “Certas etnias” é como aquela de se dizer "de cor" em vez de “pretos”, como se herdou dos tempos de Salazar. E, claro, o lusitano "não sou racista, mas...". Se o nazismo tivesse sido em Portugal, tínhamos gaseado os judeus à mesma, mas tínhamos colocado sabão nos “chuveiros”. É que somos “um povo de bom coração”.
A conclusão crua do texto: O país está assim e a culpa é de "certas etnias". O BPN era o banco de "certas etnias"? Foram as “etnias” que enterraram o nosso dinheiro para pagar o desaforo? Desde quando é que banqueiros, "empresários" que fogem ao fisco, especuladores bolsistas, políticos carreiristas... constituem uma "etnia"?
Mais? Vem aí a cimeira da NATO e vão ser gastos 5 milhões de euros em 3 dias, vão-se comprar viaturas blindadas “anti-motim” que não valem nada para “combater o terrorismo”, só servem para conter a ira do povo. E que dizer daqueles que vêm aqui a Setúbal com câmaras de TV cavalgar a “insegurança”, falar de vidas que não conhecem e acabam a comprar… submarinos? Enquanto que, ao mesmo tempo, os polícias mal pagos são obrigados a pagar o fardamento do seu bolso e continuam mal protegidos e equipados...
Minha cara, só pessoas poucos exigentes ou de agenda racista (não a tenho nessa conta), ou muito distraídas podem pretender responsabilizar "certas etnias" pelo que se passa neste país. É uma receita que mediatizada tem garantia de sucesso, os tolos farão eco da mensagem com a força que lhes falta para gritarem contra os poderosos...
Quem diz que as minorias étnicas não servem para nada num contexto de crise económica? Para onde é que muitos virariam a sua cobardia? Até dá vontade de concluir: “Malditas ‘certas etnias’ que elegem sempre os mesmos!”
Não faz sentido, pois não?
Eu considero o meu vizinho alentejano um imbecil, e ele provavelmente pensará o mesmo de mim, mas deixemos o resto dos alentejanos e setubalenses em paz. É difícil fazê-lo em relação aos demais?
Uma coisa lhe garanto: A inteligência e a estupidez, a solidariedade e a exploração foram bem distribuídas por todas as “etnias”… porque Deus, a existir, não quereria certamente ser acusado de racista.

29.9.10

Grite lá fora o que cala cá dentro

Diz o "Expresso" que se esperam hoje cerca de 100 mil pessoas em Bruxelas.

Além de Bruxelas, a Jornada Europeia de Luta dos Trabalhadores terá manifestações um pouco por toda a Europa.

Em Portugal realizar-se-ão manifestações em Lisboa e no Porto.

Apesar das manifestações nacionais, a CGTP far-se-á representar oficialmente em Bruxelas por uma delegação de três pessoas.

Por seu turno, a UGT revelou que mandou uma delegação de cerca de 100 pessoas... 100 pessoas?!

Como perceber uma delegação europeia de 100 pessoas, enviada por uma central que não é particularmente conhecida pela sua... como se há-de dizer?... "expansividade" em manifestar-se?

Aqui não participam em mais nada que nas assinaturas "concertadas" e nos programas de televisão... vivem na clandestinidade dos "plenários" individuais de corredor, só aparecem nas datas mágicas das negociações e quase sempre de caneta bem lubrificada...

E vão-se meter nas confusões das "manifs" europeias?!

A fazer o quê? A gritar lá fora o que calam cá dentro?


Sindicato? Agência de viagens.


24.9.10

"Hillary choca América com mola de plástico", notícia do "Expresso".

Foi o "Times" de Londres" que deu a notícia, vocês sabem que nós jamais falaríamos destas coisas neste jornal de referência se o "Times" de Londres, outro jornal de referência, não tivesse falado do penteado de Hillary Clinton.

Os jornais de referência têm por tradição copiar as referências dos outros jornais de referência para que nós não percamos as nossas referências.

Que o "Times" se tenha lembrado de ajustar contas com o cabelo de Hillary Clinton devido a declarações antigas da chefe da diplomacia americana já diz alguma coisa sobre as águas em que navega o "jornalismo de referência" britânico.

O jornalismo já não é o que era, dizem. O jornalismo "era", digo eu. Aconselho os mais saudosos a vencerem a realidade: Leiam os jornais e vejam os noticiários como se fossem "blogs", concedendo-lhes a credibilidade idêntica àquela que emprestam a esses sítios de opiniões e humores; divirtam-se, ou nem tanto, ressalvando sempre que a coisa for séria a necessidade de confirmarem várias "fontes", "googlem", os jornalistas deixaram de o fazer por vocês; Ah! E não acreditem numa notícia só porque ela confirma os vossos "a priori"... E, sobretudo, desfrutem da forma como se escreve, se mostra e se diz. Não há mais nada para espremer. Publicidade, notícias, notícias e publicidade, publicidade e notícias.

"The show must go on". A ditadura da forma, "substrato" zero, o info-entretenimento deixa o circo sem explicação. Metam esta na cabeça: Não há nada para explicar que vocês tenham de entender, o que precisais de entender jamais vos explicarão. "Googlem"!

Afinal o que é que a senhora disse acerca da "Paz Mundial"?

6.9.10

Serviço Nacional de Saúde uma conquista civilizacional.

video

Um segmento do documentário Sicko (2007) de Michael Moore, onde o oscarizado realizador norte-americano entrevista Tony Benn, membro da ala esquerda do Labour Party (Partido Trabalhista) Britânico, acerca do Serviço Nacional de Saúde naquele país.
Foi retirado do YouTube e está legendado em português do Brasil.

"Se pretendessem acabar com o SNS haveria uma revolução", diz Tony Benn em determinada altura. Não sei se os britânicos chegariam a tanto, já que os governos quando pretendem acabar com um Serviço Público qualquer a primeira coisa que fazem é subfinanciá-lo, "para combater os abusos" (um mistério porque atacam sempre os "abusos" e não os abusadores...), tomam medidas administrativas no sentido de o tornar ineficiente (enchem-no de "boys" e girls", por exemplo) até as pessoas acharem que o serviço é irrelevante para as suas vidas. Não há nenhum governo que acabe com uma coisa boa de uma assentada sem uma boa "campanha de imprensa" que inclui pôr os "comentadores" políticos e económicos a merecerem o que ganham.

Para justificar o afirmado, atente-se ao que se passa em terras lusas onde se deixa a defesa e o melhoramento do SNS àqueles onde não se vota. E pagam-se consultas no privado com o que não se tem, com dívidas.
Ou pagam-se com o que se tem, conseguido à custa da evasão fiscal. Aliás, é entre estes "chiquespertos" que abunda o "vox populi" que abana a cabeça às propostas privatizadoras do candidato Paços Coelho. Na cadeira desejada, José Sócrates faz juras de amor eterno ao SNS enquanto o vai... privatizando devarinho através de parcerias com o Privado ruinosas para o Público e amarrando a Saúde dos portugueses ao negócio das farmacêuticas.
Nunca a história das "faces da mesma moeda" se aplicou tão bem em política. Um e outro odeiam a única matéria em que o Estado, por Lei da República, deveria tratar ricos e pobres da mesma maneira.