23.2.12

25 anos sem o Zeca

dá conta de várias iniciativas de homenagem
ao Poeta e Cantor Revolucionário.

Esta é hoje:

(clicar para aumentar)

13.2.12

Diz-me o que promoves dir-te-ei por quem és.

Hoje, em "O Setubalense":

"Entidades culturais recebem menos apoio do município"

 "Onze mil euros para cada uma das dez marchas a concurso

Leia os artigos "linkados" e perceberá o título.

Era para me ficar por aqui, mas lembrei-me de uma espécie de "parceria público-privada" entre a Câmara Municipal de Setúbal e a empresa "Aplaudir", gestora da Praça de Touros Miguel Relvas de que resulta um apoio financeiro no valor total de 120 mil euros, distribuído ao longo de seis anos em "tranches" anuais de 20 mil euros...

A Cultura pode ser muita coisa, um desodorizante que se coloca à beira da sanita não é uma delas.

Grécia: Parlamento aprova empréstimo para pagar juros da dívida; Esquerda dividida sobe nas sondagens e eleições estão em risco


"Uma sondagem feita para o canal de televisão Skai e o diário “Ekathimerini” mostra que os partidos da extrema-esquerda gregos estão a beneficiar da erosão dos socialistas (PASOK) e podem mesmo obter juntos a maioria dos votos. E se assim for, críticos como são do segundo acordo de resgate financeiro que ontem foi a votos, a Grécia poderá emergir do processo eleitoral ainda mais confusa do que está agora. Deixando a zona euro que tanto reclama por apaziguar o fogo grego para pensar numa solução a longo prazo para a crise do euro, a braços com um reacendimento na Grécia."
[...]
"No entanto, é preciso salientar que a leitura destes números, em que à esquerda do PASOK surge uma grande coligação capaz de governar, esbarra na posição pública assumida pelos comunistas do KKE de que não estão dispostos a cooperar com outros partidos."

Ler artigo completo (link para a edição digital do jornal "i")

9.2.12

Software livre? Pá, agora "tamos" no governo.

"[...] O Ministério da Administração Interna adquiriu novas licenças de software Microsoft para os próximos três anos no valor de 9.301.383 euros. [...] Mas há apenas nove meses, o PSD, já sob a presidência de Passos Coelho mas ainda na oposição, tinha apresentado a proposta de que todos os serviços do Estado passassem a usar software livre, no quadro de um conjunto de propostas para ajudar a reduzir despesa."
Ler mais. (link para o Esquerda.Net)


Pesquisando sobre o assunto do Software Livre, chega-se a uma página "gov.pt", uma página governamental, onde se lê:

 "O Software Livre é, na verdade, o início de uma mudança fundamental na infra-estrutura de software:
 - A iniciativa da Comissão Europeia e Europe 2005: An Information Society for all é suportada num Plano de Acção (de Junho de 2002). Um dos seus tópicos é dedicado ao Software Livre, e nele é assumido que a Comissão Europeia e os Estados Membros promoverão uma maior utilização de software livre no sector público;
- Através da Resolução da Assembleia da República n.º 66/2004 é recomendado ao Governo a tomada de medidas com vista ao desenvolvimento do software livre em Portugal. [...]"

Pesquisando nesta página, na rubrica "Conteúdos Recentes", vemos vê-se que...
"última actualização: 2010-10-22 15:59:54".

Outubro de 2010... Moral da estória: o Software Livre é mesmo mais "lento" que software proprietário.

 

Outros sítios para saber mais sobre o assunto:

Definição de Software Livre (link para a Wikipédia)


 Se quiser experimentar um sistema operativo alternativo pode encontrá-lo aqui (link para o "Caixa Mágica")

Há uma versão que lhe permite arrancar a partir do leitor do DVD do computador e funcionar no Sistema Operativo Linux e ainda aceder a um pacote de escritório completo e ferramentas para ouvir música, ver filmes e aceder à Internet. Para tal só tem que descarregar o ficheiro e, claro, gravá-lo num DVD.
Além da versão "Caixa Mágica" (link em cima), há outras versões muito populares como o "Ubuntu" (link para a página brasileira, mais actualizada).

Para começar pode mandar o Internet Explorer dar uma curva mais as sucessivas "actualizações de segurança", com uma alternativa bem melhor. (link para o Mozilla Firefox).
Sim, isto foi publicidade... gratuita.

Lê, assina e divulga

 PETIÇÃO

Impedir a Taxação da Sociedade da Informação

Para: Assembleia da República, Primeiro-Ministro, e Presidente da República Portuguesa


Expressamos o total desacordo com o projeto de lei n° 118/XII que “Aprova o regime jurídico da Cópia Privada e altera o artigo 47.o do Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos – Sétima alteração ao Decreto-Lei n.o 63/85, de 14 de Março”, doravante referido como #pl118, o qual não deveria ser aprovado pela Assembleia da República, com base nos motivos que se seguem.

1. Premissas falsas

a. O #pl118 tem como premissa que todos os equipamentos de armazenamento digital são ferramenta de usufruto de cópia privada; na esmagadora maioria das vezes, os produtos de armazenamento destinam-se a conteúdos próprios e não a cópias privadas, autorizadas pelas leis vigentes;

b. A cópia privada é permitida pelo código dos direitos de autor e direitos conexos;

c. Não existem estudos sérios demonstrando dano económico derivado da cópia privada;

d. Vários países estão a acabar com a taxação da cópia privada, como por exemplo a vizinha Espanha que tanto é apontada como exemplo pelos promotores do #pl118;

e. É falso que quem vai pagar a taxa, sem prejuízo para os consumidores, sejam os revendedores, distribuidores, retalhistas, etc. O Artigo 6° torna isso bem claro ao definir quem está isento do pagamento de taxa.

2. Irrenunciabilidade

A irrenunciabilidade faz com que obras que hoje não podem hoje em dia ser taxadas porque os seus autores/artistas pretendem e promovem a sua cópia, privada e pública, passam a ser poder ser taxadas, o que é uma enorme injustiça e vai contra os interesses dos mesmos.

3. Inalienabilidade

A inalienabilidade coloca em causa metodologias estabelecidas de proteção dos direitos dos utilizadores de Software Livre.

4. Valores abusivos

a. as fotocópias e impressões vêm a taxa existente aumentada de 3% para entre 25% e 33% por folha

b. os discos rígidos atualmente vendidos, com cerca de 1 TB, serão taxados a 2¢ por GB, cerca de 20 € ; em poucos anos um disco de 8 TB terá o mesmo preço, mas a taxa "devida" corresponderá a mais de 160 €, sendo que mais do que 1 TB terá taxa de 2.5 ¢ por GB.

c. aqueles equipamentos de armazenamento que se prevê ser o futuro próximo são taxados com taxas muito mais elevadas por GB (nos telemóveis e afins, 50 ¢ / GB) antevendo um aumento brutal e drástico

d. Um GB num disco rígido é exatamente igual a um GB numa pen, num cartão de memória ou num telemóvel, mas são taxados de formas abusivas e diferenciadas

5. Origem do #pl118

O #pl118 foi escrito pela "Secção dos Direitos de Autor e Direitos Conexos" que é composta pela SPA, a GDA, a FEF, a AGECOP, a APEL, a AUDIOGEST, a PGR, o GPEARI da tutela da Cultura, o INPI, e alguns advogados na área dos direitos de autor.

Ou seja, entidades que vão lucrar direta ou indiretamente com a aplicação destas taxas...

Há vários anos aque entidades representantes de alguns sectores da sociedade civil, ignorada neste processo, tentam fazer parte desta secção sem qualquer resposta positiva ou negativa das tutelas, apenas acusam a receção do pedido, num processo muito pouco democrático. Entre outras constam a ANSOL, a AEL e a Creative Commons Portugal.

6. Consequências negativas

a. Os consumidores refrear-se-ão de possíveis compras ou optarão por tentar fazê-las em territórios que não estejam sujeitos a taxa levando à quebra de vendas no setor, com impacto negativo nas receitas do Estado Português derivadas do IVA e possíveis situações de desemprego no sector económico ligado às novas tecnologias;

b. A aplicação destas taxas apenas aumentará o clima de insatisfação dos portugueses e fará aumentar a pirataria dos conteúdos com direitos de autor como forma intempestiva de retaliação às injustas taxas deste projeto de lei.

Considerando naturalmente, que o respeito pelos direitos de autor é uma tema difícil e complexo, parece-nos óbvio que não é penalizando injustamente os portugueses que estejamos a aumentar o respeito pelos direitos de autor.


Os signatários

Assina aqui.

"Despedimentos colectivos mais que duplicaram em 2011"

É um dos títulos da edição digital do jornal "Público".

Como é "difícil despedir" em Portugal...
É por isso que a "Concertação Social" promoveu o "Despedimento Simplex". Em tempo de desemprego criaram-se condições  para o aumento da carga horária dos trabalhadores, o trabalho extraordinário, praticamente obrigatório, passa a ser menos remunerado...
Contrapartidas na organização do trabalho que permitam o acesso dos jovens a postos de trabalho efectivo, quanto mais não fosse nas grandes e mais sólidas empresas, nada. Como se o problema da competitividade da nossa economia fosse o custo do Trabalho (dos mais baixos na UE) ou o número de horas de trabalho (um dos mais altos da UE, também). E tudo com assinatura sindical...
E lembrar os sindicatos espanhóis: "Trabalhar menos para trabalhar todos".

Perante isto, se és jovem, não tens cunhas e queres chegar a algum lado, o governo aponta-te a saída: vai para o estrangeiro... Mas cuidado que a coisa é cada vez mais difícil lá por fora... Ah!, e foge como o diabo da cruz dos patrões portugueses que te queiram levar para fora!

Não sejas "piegas", ainda há outra alternativa: se os teus pais te puderem sustentar e pagar as propinas enquanto te vais entretendo na faculdade, inscreve-te numa "jota" de um partido com "vocação governamental". Talvez um dia chegues a primeiro-ministro. Conhecimento, experiência, competência? Basta teres uma boa imprensa.

7.2.12

Falar de pieguice num sítio onde não haverá muita razão para...

“Devemos persistir, ser exigentes, não sermos piegas e ter pena dos alunos, coitadinhos, que sofrem tanto para aprender”, ilustrou, considerando que só com “persistência”, “exigência” e “intransigência” o país terá “credibilidade”. Disse Passos Coelho numa cerimónia comemorativa do aniversário de um dos principais grupos de Ensino Privado em Portugal, o Grupo Pedago, onde foi professor.

Resistência ou "Lockout" cultural?

A atitude de  Vasco Graça Moura de impor aos funcionários do Centro Cultural de Belém que fosse retirado dos computadores o corrector ortográfico com o novo Acordo Ortográfico continua a ser celebrada em alguns fóruns da rede como um "acto de resistência" por opositores ao controverso acordo. Erradamente, não há "resistência" nenhuma quando se impõe aos subordinados as suas próprias convicções. É como a "greve dos camionistas" (assim denominada na imprensa) que não era nenhuma greve mas uma paralisação patronal imposta aos motoristas das viaturas para combater o governo. Um lockout. No caso de Graça Moura, um lockout cultural.

Acordo ortográfico? "Pára" aí!
Não é por questões de "patriotismo"... patriotismo? se querem fazer algo em matéria de "patriotismo" sigam o exemplo dos brasileiros: insurjam-se contra as palavras estrangeiras na publicidade, e por aí adiante, sempre que há termos em português. Exijam que a comunicação social proteja a língua, para que a "norma" escrita se expanda ao contrário dos anglicismos idiotas com que nos prendam diariamente.
Resiliência ao "brasileirismo"? Só se for para rir, no Brasil  há muitos que o criticam e com argumentos menos estúpidos do que o "patriotismo". Não culpem os brasileiros, deixem-nos em paz. Os que melhor escrevem em português fazem-no em português do Brasil, com o "trema"... e o gerúndio que alguns imbecis acham "brasileiro" porque só conhecem o Alentejo das anedotas...
Não gosto do acordo ortográfico em nome da diversidade - uma espécie de amor à biodiversidade mas com letras. Não vejo nele a distinção saudável da pronúncias portuguesa e brasileira: onde eu lia o cru "diréção" europeu, leio agora "dirêção" porque se avacalhou a sílaba tónica... e já nem me permitem adivinhar em "direção" a pronúncia da  "dirêção" brasileira. O Acordo Ortográfico é um híbrido de plástico sem alma. Uma uniformização que só serve os editores.

Além disso, e sem me meter nos pormenores técnicos (ui!), não gosto do acordo porque muitas das soluções que propõe são estapafúrdias e "esteticamente" caricatas, como o "para" que pode ser "pára" e "depende do contexto"... como os "espetadores" que acho que só deviam existir nas touradas - cujos "espetadores" espero que tenham cada vez menos espectadores.
Por outro lado, pressinto que no futuro os nossos estudantes perceberão pior qual a razão por que os ingleses e franceses mantêm o "c" em "direction", que suspeito que seja a mesma pela qual os castelhano-escritores o fazem em "dirección".
Perante a evidência (do que é evidente - não a tradução errada do equivalente inglês para "prova" como se vem lendo cada vez mais nas legendas e se ouve nos telejornais) só posso chegar à conclusão de que as academias das três línguas mais faladas pela Humanidade são umas atrasadas ao pé dos iluminados que pariram o acordo.
Regressando ao ídolo "resistente" do momento. Vasco Graça Moura impôs (sublinho: impôs) aos seus subordinados que não fosse cumprido o acordo. Não gostei porque também não gostaria que o meu patrão me impusesse o contrário. Além disso, estas coisas da resistência só têm pinta quando um gajo arrisca alguma coisa. O que não foi o caso.

PS: Todos os erros ortográficos e pontapés na gramática dados neste texto só revelam que ainda havia muito a fazer quanto à grafia antiga... Quanto à "ignorância técnica"... que querem, sou daqueles que antes de conduzir um carro gosta de espreitar por baixo do capot - em francês e em itálico, bonito não é?

6.2.12

"Et pluribus unum"

video  
Et Pluribus Unum
(E Todos Por Um)
Um vídeo educacional. Não me refiro só aos Transportes Públicos.

Um porta-voz europeu que nem merecia o salário mínimo

 Perante a convocação de uma nova Greve Geral na Grécia, um porta-voz da Comissão Europeia, Amadeu Altafaj Tardio, veio a terreiro atirar-se aos gregos porque estes resistem à redução do Salário Mínimo, que é de "751 Euros por mês", segundo afirmou. É capaz de ter exagerado no valor, pelo menos a crer no valor que o mesmo porta-voz anuncia para o Salário Mínimo português, 570 Euros (?!). Diz ele:

 «Para vossa informação, o salário mínimo na Grécia é de 751 euros por mês. Multipliquem por 14, porque há 14 meses, o que dá uma média de 870 euros por mês. Em termos comparativos, devo dizer por exemplo que em Portugal o salário mínimo é de 570 euros e em Espanha de 748 euros, se as minhas informações são correctas», afirmou Amadeu Altafaj Tardio." (ler o resto no jornal o "Sol")

As informações não estão correctas. Ou Passos e "sus muchachos" andam a informar mal a Europa ou o porta-voz nem merece o salário mínimo: 
O Salário Mínimo em Portugal é de 485 Euros.



Já agora, era para ser maior:

Segundo o Decreto-Lei n.º 143 /2010, de 31 de Dezembro, Artigo 1º:

"1 - O valor da retribuição mínima mensal garantida a que se refere o n.º 1 do artigo 273.º do Código do Trabalho, aprovado pela Lei n.º 7/2009, de 12 de Fevereiro, é de Euros 485.
2 - O Governo toma as medidas necessárias para, nos meses de Maio e de Setembro, proceder à avaliação do impacte do estipulado no número anterior, com o objectivo de ser atingido o montante de Euros 500 até ao final do ano de 2011."

Este aumento para 500 Euros do Salário Mínimo nunca foi aplicado.

Lembra-se que o valor de 500 Euros (100 contos!) foi o resultado de um Acordo de Concertação Social também subscrito pela CGTP, a tal que "nunca subscreve nada".
Independentemente da opinião que se tenha sobre a "postura negocial" da CGTP, ou sobre a forma como conduz a luta dos trabalhadores, há uma pergunta que deve ser feita: Como se pode exigir a uma central sindical que subscreva acordos quando aquilo que é assinado anteriormente não é cumprido só porque favorece de alguma forma os trabalhadores?

4.2.12

A ironia (também) é uma arma.

Ricardo Araújo Pereira em entrevista ao jornal "i":
 
Há dez anos os Gato Fedorento apareceram no programa “Perfeito Anormal”. Até hoje, cresceram ou engordaram?
Pessoalmente, espero ter engordado. O meu projecto sempre foi o da engorda. A luta pela paz mundial já estava tomada pela Miss Universo, com muita pena minha.

Entrevista completa aqui (link para o jornal "i").

2.2.12

Uma verdade inconveniente sobre os Transportes Públicos

Daniel Oliveira, comentador do "Expresso", colocou uma interessante opinião sobre a greve dos transportes (link para o "Expresso") que hoje afectou principalmente a capital. No meio do coro "anti-greves" que se faz sentir nos media corporativos, com peças "jornalísticas" e "apontamentos de reportagem" escolhidos a dedo para culpabilizar os trabalhadores que se movimentam em defesa dos seus direitos, e dos Transportes Públicos, o artigo constitui uma  "verdade inconveniente". A ler, seguindo a ligação colocada acima.

Entretanto, tendo em conta a realidade dos transportes que servem (?!) Setúbal, eu acrescentaria-lhe a denúncia do valor das "compensações" pagas a empresas privadas, como a Fertagus, que recebe proporcionalmente mais que a CP, pública, e tem tarifários bem mais caros que a empresa pública.
Esta empresa, que gere os transportes ferroviários que ligam Setúbal a Lisboa, via Ponte 25 de Abril, consegue ainda ter horários feitos de acordo com a mera reprodução do lucro que não correspondem às necessidades de transporte da população da Cidade de Setúbal.
Por esta razão, e ao contrário do que seria aconselhável económica e ambientalmente, o transporte rodoviário continua a ser a forma preferida para a população de Setúbal se deslocar para o trabalho e para as escolas.
Acrescentem-lhe a redução do desconto do preço dos passes dos estudantes e dos reformados e perceberão melhor porque os acessos sul a Lisboa estão quase sempre em hora de ponta.
Descontando, evidentemente, aqueles que utilizarão sempre o transporte privado, muitos deles, conforme se pode comprovar nas caixas de comentários dos jornais, com "óptimas ideias" sobre o Serviço Público de Transportes e sobre as greves... gente que não concorrerá ao concurso das "Vespas" do "Expresso" para "furar as greves".

BPN, o buraco sem fundo dá-nos cabo dos fundos.

 Mais 600 milhões para o BPN

"O Orçamento de Estado tem 600 milhões de euros para o aumento do capital do BPN, confirmou o secretário de Estado do Orçamento, Luís Morais Sarmento, em resposta a pergunta do deputado Pedro Filipe Soares. Em comentário à Antena Um o deputado do Bloco afirmou: 'Não há fim para este buraco do BPN'."
Ler o resto no Esquerda.net .

1.2.12

Documentos revelam que Kadafi, CIA e MI-6 eram “sócios do horror”

Com o devido agradecimento, texto e imagem retirados do sítio do PSOL,  Partido Socialismo e Liberdade, do Brasil.

Documentos revelam que Kadafi, CIA e MI-6 eram “sócios do horror”

*Por Atilio Boron
Título original: “Socios del horror”
 Dias atrás, o correspondente do jornal londrino The Independent estabelecido em Trípoli trouxe à luz uma série de documentos que havia encontrado em um escritório governamental, abandonados no desespero pelos seus ocupantes. Essa matéria traz uma luz de cegar os olhos para quem crê que para se opor e condenar o criminoso ataque aéreo da OTAN sobre a Líbia é necessário enaltecer a figura de Kadafi e ocultar seus crimes, até convertê-lo em um socialista exemplar e ardente inimigo do imperialismo.
 O gabinete em questão era de Moussa Koussa, ex-ministro das Relações Exteriores de Kadafi, homem da mais absoluta confiança deste e, anteriormente, chefe do aparato de segurança do líder líbio. Como se recordará sempre, nem bem estourou a revolta em Benghazi, Koussa desertou e surpreendentemente se mandou pra Londres. Apesar das numerosas acusações que existiam contra ele por torturas e desaparecimentos de milhares de vítimas, o homem não foi incomodado pelas sempre tão alertas autoridades britânicas e em pouco tempo esfumou-se.
Agora se suspeita que seus dias transcorriam sob proteção de alguma das ferozes autocracias do Golfo Pérsico. A papelada descoberta pelo correspondente do Independent ajuda a entender por que. Os documentos evidenciam os estreitos e cordiais laços existentes entre o regime de Kadafi, a CIA e o MI-6, os serviços de espionagem estadunidense e britânico, respectivamente. Graças a esse vínculo, Washington levou a Líbia pessoas suspeitas de terrorismo – ou colaboração no mesmo sentido – para serem submetidas a sessões especiais de “interrogatórios reforçados”, um eufemismo pouco sutil para se referir à tortura. Graças ao apoio de um governo como o de Kadafi, que havia jogado fora suas antigas convicções, George W. Bush pôde superar as limitações estabelecidas pela sua própria legislação em relação aos tipos de tormentos “aceitáveis” em uma confissão.
De acordo com a documentação desvendada pelo jornalista, a Casa Branca realizou pelo menos oito envios de prisioneiros – não há informação exata sobre o número de pessoas despachadas em cada viagem – para serem interrogados brutalmente nas masmorras de Kadafi, além dos que puderam ser enviados ao país sem que no momento exista registro escrito sobre isso. Esse canalhesco casamento entre o robocop do império e seu comparsa líbio chegou tão longe que em um dos documentos emitidos pela CIA aos esbirros de Kadafi se inclui uma lista de 89 perguntas que estes teriam de formular quando se “interrogasse” algum dos suspeitos. Quer dizer, nada ficava livre da improvisação.
Em troca desses infames serviços, a CIA e o MI-6 ofereciam por escrito toda sua colaboração para identificar, localizar e entregar os inimigos do regime em qualquer lugar do mundo. A agência estadunidense fez assim com Abu Abdullah Al-Sadiq – um dos dirigentes do Grupo Líbio Islâmico Combatente e, hoje em dia, líder militar dos rebeldes líbios – apenas dois dias depois de chegar uma solicitação expressa de Trípoli em tal sentido. Sadiq, cujo nome verdadeiro é Abdel Hakim Belhaj, declarou na quarta-feira, 31 de agosto, que estando em Bangcoc em companhia de sua esposa, grávida, foi detido e torturado nos cárceres líbios por agentes da CIA, tal e qual se antecipava no escrito resgatado dos escombros do escritório de Koussa. Similares trocas de favores foram freqüentes entre os organismos de segurança líbios e o MI-6, dado que numerosos exilados políticos líbios residiam no Reino Unido.
Todo isso é apenas a ponta de um iceberg atroz e aberrante. A correspondência entre o número 2 da CIA naquele momento, Stephen Kappes, e Koussa escancara uma repugnante cordialidade. O mesmo sentimento provoca a hipocrisia cúmplice de George W. Bush e Tony Blair, sabedores dos crimes que por sua causa Trípoli vinha cometendo, enquanto proclamavam sua mentirosa defesa dos direitos humanos, da justiça, da democracia e da liberdade. Farsantes supremos, igual a Kadafi, que há muito tempo deixou de ser o que havia sido, apesar de serem muitos os que ainda não se deram conta disso.
O promotor do Tribunal Penal Internacional declarou que iniciará uma investigação sobre as gravíssimas violações dos direitos humanos perpetradas por Kadafi. Porém, o que fará com George W. Bush e Tony Blair, participantes necessários, cúmplices e acobertadores desses crimes? Além do mais, terá a coragem suficiente para fazer o mesmo com Anders Fogh Rasmussen, secretário geral da OTAN, responsável (até 1º de setembro) dos 21.200 ataques aéreos contra a Líbia, causadores de inumeráveis vítimas civis e da destruição quase total do país?
A operação “reconquista colonial” da Líbia – ensaio geral de uma metodologia destinada a se aplicar nos mais diversos cenários regionais – fez cair muitas máscaras, que deixaram a nu personagens sinistros e instituições como o TPI, tão farsesco como o “anti-imperialismo” de Kadafi e os “direitos humanos” de Bush, Blair, Cameron, Sarkozy e Berlusconi.