3.7.15

Comprometendo o Jornalismo, outra vez

A campanha do referendo na Grécia ganha contornos interessantes nas TV portuguesas com as estações que se têm limitado a retransmitir "ipsis-verbis", acriticamente, o que sai das grandes antenas internacionais (e do YouTube...), e que já quase não têm correspondentes no estrangeiro, a mandarem jornalistas (quantos falarão grego?) filmar bichas ["filas"? eu sou português não sou brasileiro] à frente dos multibancos.
Sobre o trabalho dos "jornalistas", desculpem mas depois das "armas destruição maciça no Iraque" e da vergonha que foi deixarem-se manipular pela NATO na cobertura da Guerra na Jugoslávia, é de desconfiar. Sabíeis que havia um portal de informação sobre a Grécia em Portugal? Eu também não.
Esta vem denunciada no "Infogrécia". Abro aspas:
Uma vítima do terramoto da Turquia "transformado” em pensionista grego em lágrimas na capa de um diário é o último exemplo de manipulação da imprensa a fazer furor nas redes sociais.
A esmagadora maioria dos jornais e tv’s privadas da Grécia, detidos por grupos ligados à oligarquia que tem dominado a finança do país, faz abertamente campanha pelo ‘Sim’.
O diário Star publicou esta semana na capa a foto de um pensionista grego em lágrimas por causa do controlo de capitais. Na realidade, este “pensionista” é uma vítima do terramoto na Turquia em 1999, agora recuperado para ilustrar ao povo grego o suposto desespero da terceira idade à porta dos bancos.
Se durante o fim de semana, as televisões criaram o clima da “corrida aos bancos”, com diretos intermináveis junto às caixas multibancos até que de facto as filas se começassem a formar por gente preocupada com o que via na tv, isso não bastou para alguns canais.
Uma das imagens mais impressionantes foi a desta idosa a proteger a amiga de olhares curiosos sobre o pin de multibanco por parte da suposta multidão na fila para levantar dinheiro. Mas na verdade, a foto era de 2012 e mostrava que não havia mais ninguém próximo da caixa.
Fecho aspas.
Claro que votaria "OXI" na Grécia.
Por cá, por alguma razão até o "Dia da Restauração da Independência" deixou de ser feriado.
Os betinhos que nos governam devem ter pensado que era o dia dos restaurantes...

26.6.15

E agora, "não há nada mais importante"?

Reproduz-se abaixo um comentário a esta notícia do "i":
http://www.ionline.pt/artigo/399184/uma-mulher-deve-pagar-para-fazer-um-aborto-maioria-vai-mudar-a-lei?seccao=Portugal_i


Ainda hoje veio a lume que o número de abortos desceu em Portugal, o que contraria a ideia de que, aprovada a lei, seria "um fartar vilanagem" porque as malandras das mulheres (já agora os homens, não?) nem se preocupariam com a contracepção. Está demonstrado: a Lei da IVG reduziu o número de mulheres mortas por aborto, reduziu o aborto clandestino e reduziu o aborto em Portugal. Se não há mais crianças, seus cretinos do governo e respectivos tapetes, é porque ganhar 400 euros por mês não dá para dar de comer a ninguém, entendido? Com isto não se preocupa essa gente tão "piedosa"! Mas esta iniciativa dos partidos da Direita procura algo mais e não tem nada a ver com a "justiça" de pagar taxa moderadora (lê-se logo os idiotas úteis, "Ámen!", que não se lembram que foi em nome de algo deste género que introduziram e aumentaram as taxas até haver muita gente que não vai ao médico porque não tem com que as pagar), justiça é coisa que não assiste a este governo que corta o RSI a mães solteiras desempregadas aconselhando-as a irem ter com a senhoras da caridade. Com tanto problema no país, por quê lembrarem-se do valor ridículo das taxas moderadoras? Junte-se-lhe a ideia das assinaturas nas ecografias, e a perseguição moralista de quem toma uma decisão dolorosa, e temos o quadro: pretender reverter na secretaria o que foi decidido pelo voto popular.
Esta canalha que só ainda governa porque aquela coisa inqualificável que ocupa Belém a tem (as)segurado, não está apenas interessada em vender tudo o que é nosso aos amigos e aos que lhe financiam os partidos ou lhes garantirão emprego se o "pote" se for, quer deixar ferido de morte tudo o que lhes lembra que este povo teve um momento na História em que não foi a mole narcotizada pelo consumismo e pela televisões reles que é hoje. Serviço Nacional de Saúde, a Escola Pública, a assistência pelo Estado aos mais pobres... não há muitos países que se possam gabar de ter diminuído a mortalidade infantil e o analfabetismo no tempo que nós fizemos. Não é o valor desprezável da taxa que lhes importa. Como fundamentalistas de Direita que são não podem admitir que uma mulher possa escolher, esse é o seu problema. Essa estória da "vida" é para acalmar os ratos de sacristia que não sabem ou já não podem ter filhos e querem mandar no útero das outras!