31.7.12

Aprende a nadar companheiro

 

E assim se desfaz o mito de "As mulheres e as crianças primeiro". O outro, o de que "O comandante é o último a abandonar o navio", também é coisa que já teve melhores dias. Agora só falta que os mais crédulos percebam que a Primeira Classe ter prioridade no acesso aos botes salva-vidas e a Terceira Classe ficar trancada no porão, acompanhando o navio até ao último destino, não é coisa excepcional, é regra. E sobretudo que essa do "estamos todos no mesmo barco" é conversa mole de quem tem colete vestido por baixo da roupa para quem não encontrará nenhum. Há que encarar de outra forma o ensino da natação.

29.7.12

ASAE "low cost"?


Deve ser consequência da falta de pessoal e meios, para reduzir "as gorduras do Estado", tal como nos professore/as, auxiliares de educação, educadora/es de infância, médico/as, enfermeiro/as e outras funções públicas, de interesse público.
Entretanto, reforça-se os "meios policiais" para termos uma falsa ideia de segurança - quando "não há pão há circo"... e se as gentes não se alimentarem do circo, levam com a "guarda pretoriana".
Percebamos, quando se fala em reduzir o papel do Estado é disto também que se fala.

Como de costume, se vier-se a saber que há alguém familiar de alguém importante com interesses numa empresa de fiscalização, "low-cost" claro, nem será preciso "fiscalizar": é para privatizar.

28.7.12

Bom-gosto e Cultura em Londres

Percorrendo a imprensa do dia seguinte, parece-me que há quase unanimidade: o espectáculo que precedeu a abertura oficial dos Jogos Olímpicos de Londres foi um êxito. Seduzidos pelas luzes, pelas escolhas musicais, pelo humor ou ainda pelo fogo-de-artifício, quase toda a imprensa gaba o esforço londrino.
Falam de tudo, menos da concepção marcadamente diferente evidenciada por Danny Boyle, da abordagem a léguas do discurso tipificado e chapa-cinco, género concurso de misses, do vago "ideal olímpico" e do mais que ocasional "paz entre todos os homens" e tal. Como se um espectáculo fosse só para olhar.

Ontem viu-se um exercício de bom-gosto onde se fugiu à tentação de fazer uma demonstração das actualizações tecnológicas ocorridas desde que há 4 anos Pequim deslumbrou o mundo com a sua demonstração de luz e cor.

Imaginado por Danny Boyle, um realizador de cinema britânico reconhecido pelo recente "Quem Quer Ser Milionário" mas onde constam outros títulos como "28 Days Later" ("28 Dias Depois", terror) e o cru objecto de culto "Trainspotting" (um filme sobre a temática do consumo de drogas), o espectáculo de abertura dos jogos de Londres ficou longe de ser uma tentativa britânica de superar o que em matéria de som e luz já havíamos visto.

Temi um exercício folclórico-luminescente dos  lugares-comuns que vemos na Comunicação Social... sei lá, um bailado de bobbies (a "simpática" polícia londrina que aparece em todos os bilhetes postais), a reivindicação do nascimento do futebol, um enaltecimento modernaço da nostalgia do Império, talvez mesmo o regresso-surpresa das "Spice Grils"... haverá "marcas" maciçamente mais consumidas pelos media no que ao made in Britain diz respeito?

Mas não, ontem fez-se um exercício de Cultura e até, com muito bom gosto e na linha do melhor humor britânico, de Ironia. Mesmo a parte mais "institucional", a mais referida pela Comunicação Social, foi tratada com humor, "colocando" a rainha num helicóptero e fazendo-a descer de um dessacralizado páraquedas sobre o estádio acompanhada pelo inevitável e sempre ao seu serviço James Bond. E as escolhas musicais, caramba, quase atiraram para o esquecimento os tops das tevês!

Ficou na memória o quadro inicial do bucolismo verde dos campos invadido pelas chaminés nascendo como cogumelos, foi espectacular. Mas com pessoas: camponeses obrigados à proletarização, capitalistas a tomarem conta das terras, trabalho infantil, lutas operárias, as sufragistas... nem os imigrantes vindos de ilhas do outro lado do planeta para alimentar as fábricas foram esquecidos, tal como a consequência mais trágica da luta pelos mercados e matérias-primas nos soldados da I Guerra Mundial...

E ainda algo que, percorrendo as páginas do jornais de hoje, vi quase esquecido, apesar de ter ocupado uma parte substancial do espectáculo: a ode ao "National Health Service", o serviço nacional de saúde britânico. Foi um quadro que culminou com a escrita, a luz, da sigla "NHS", um momento que o realizador fez questão de evidenciar ainda mais num plano "picado" sobre o estádio... Para quem não se lembra, foi imediatamente antes do aparecimento dos monstros que um exército de "Mary Poppins" veio afugentar...

Por que razão a comunicação social se esqueceu deste autêntico manifesto num programa que começou com algo como "Isto é Para Todos"? Cheira-me que será a mesma razão pela qual alguns países muçulmanos fizeram questão de não deixar que atletas-mulheres fossem a porta-bandeira do seu país: para não se dar ênfase ao que "não interessa".
Siga o espectáculo.

23.7.12

Mais um e-Vento em Setúbal

Como muitos setubalenses, desloquei-me na passada sexta-feira ao Auditório José Afonso para ver e ouvir a Orquestra Metropolitana de Lisboa. A coisa prometia, um fim de noite com uma das melhores orquestras nacionais, acrescida da possibilidade de rever o Maestro Victorino de Almeida, não é coisa que aconteça todos os dias, em Setúbal. Antes de continuar, deixai que diga que a posição desta última vírgula não é inocente.

Continuemos pois.
Ainda por cima, a Câmara Municipal teve a preocupação de afastar o ruído automóvel da zona.
Aqui, uma pausa para tirar o chapéu e fazer uma vénia.
Para se perceber o ênfase, há que explicar a quem não é de Setúbal que o dito auditório está a poucos metros de um dos troços mais movimentados e ruidosos da Avenida Luísa Todi.
Quanto aos que aqui fazem vida, todos confirmarão que a preocupação com o ruído - com qualquer tipo de ruído (som de feiras, festas, bares, animais) conforme o descrito no "Regulamento Geral do Ruído" - não tem sido um dos fortes de quem quer que tenha passado o traseiro pela edilidade cá do burgo. Assim, lembrando-me disto, gabo a atitude camarária: perante uma possibilidade Cultural extraordinária, tomou-se uma medida excepcional. Muito bem.E pôde-se passear a pé naquele pedaço da avenida sem ser para ver o "Carnaval de Verão".

Lá estou eu, agora tenho de satisfazer novamente a curiosidade dos de fora:
O "Carnaval de Verão" foi algo que surgiu em Setúbal no ano passado, consiste em fazer desfilar as meninas das escolas de samba do entrudo, desta feita sem os mamilos hirtos pelo frio. É uma ideia peregrina? Sim. Lesa calendário festivo? Que interessa? Bem vistas as coisas, um acto humanitário: fazer desfilar moças em biquíni tiritando com o frio de rachar de Fevereiro só pode ser invenção de quem não gosta delas.
A câmara afirmou que o carnaval setubalense a desoras foi um êxito, o que comprova a aposta camarária em eventos que valorizem a multiculturalidade na génese setubalense... trocando por miúdos: a malta gosta de ritmos tropicais. As tradições não surgem do nada, assim como as Marchas Populares e o "traje académico" politécnico, fabricam-se.


Regressemos à vaca fria, ao Auditório.
Uma advertência se impõe:
Se for um forasteiro e tiver-se esquecido do GPS não procure pelo "Auditório José Afonso", pergunte pelo "Largo José Afonso". É que se perguntar pelo "auditório" será capaz de obter um número de respostas equivalente à dimensão da imaginação do seu interlocutor. Se, ao invés, procurar pelo "túnel de vento", garanto-lhe, dará com o local com mais precisão que um míssil americano.
Sim, não há que enganar, é aquela coisa proeminente no meio da Avenida Luísa Todi que faz lembrar o pórtico do estaleiro da Lisnave na Zona da Mitrena, ali para os lados em que o rio se começa a armar em mar.

Lá estou eu, agora tenho que descodificar:
Se pretende dirigir-se ao estaleiro da "Lisnave" em Setúbal, pergunte pela "Setenave". É pelo antigo nome da empresa que os setubalenses reconhecem os estaleiros navais da Mitrena. Já que aqui estamos, só fazem reparação porque o acordo de adesão à CEE proibiu a construção naval pesada em Portugal: Foram privatizados e entregues (podia ter escrito "vendidos" mas seria manifestamente exagerado) ao grupo Mello que lhes deu o nome da instalação, já encerrada, que ficava na borda de Almada lavada pelo Tejo - ainda por lá está o pórtico a lembrar a História.
A diferença? Menos 4 mil e tal operários, da melhor mão-de-obra da indústria naval do mundo, e a sua substituição por empresas de "trabalho temporário" e o recurso a imigrantes cujas condições de trabalho se descreveriam melhor na "Divina Comédia" de Dante que numa qualquer convenção colectiva de trabalho. E que ninguém se atreva a retorquir-me com tretas economicistas sobre o fim da indústria metalúrgica pesada que eu pergunto se o trânsito por mar se faz sem ser através de navios!

Não me esqueci, o "Túnel de Vento".
Pois bem:
A tal construção cujo cognome aqui se faz referência é uma edificação de um dos mais renomados arquitectos portugueses, Manuel Salgado. A decisão da sua construção terá sido incluída no lote de outras que resultaram no POLIS de Setúbal  que vieram a descaracterizar uma das avenidas mais bem desenhadas do país. "Um desperdício de dinheiro, bastava que ordenassem o trânsito e a limpassem" - reproduzo aqui as palavras de vários arquitectos aquando do discussão pública do projecto. O que é um facto é que o desperd... a decisão foi tomada quando os destinos da Cidade estavam nas mãos de um de tal Mata Cáceres, do Partido Socialista e mereceu o apoio dos grupos políticos mais representados na Câmara da altura,  PS e PSD. E "reservas" do PCP, que viria a consumar na sua governação a maior parte das obras, ajustes, reajustes, e re-reajustes. Abreviando, o que é facto é que ao fim de tantos anos ninguém quer ser pai do POLIS. Não há nenhum partido do "arco governativo" da cidade que diga: "Fui eu!".
Quem paga a "pensão de alimentos"? Os do costume.

"O túnel, pá, o túnel!"
Rapidamente se verificou que as características e orientação da construção, aliada ao perfil descampado do local, a que se soma uma rua perpendicular à avenida que canaliza para ali as correntes de ar, eleva à potência o desconforto provocado pelo vento a quem quer que se predisponha ir ver qualquer tipo de... e-Vento. Antes é aconselhável consultar o boletim meteorológico, ou pôr velinhas quiçá, para se ter a certeza de que não há vento, de todo, para que não se corra o risco de ter um espectáculo estragado por factores estranhos aos artistas. Quantos aos artistas, e depois há aquele palco que os coloca de lado para os espectadores na maioria dos espectáculos - ainda não tinha falado deste "pormaior", pois não?


Adiante, de regresso ao Concerto:
Na passada sexta-feira era para ter lugar um espectáculo de Música Clássica com a Orquestra Metropolitana de Lisboa no Auditório José Afonso, em Setúbal. Devido à forte corrente de ar que se fez sentir, que fazia voar as pautas dos músicos, a orquestra teve de fazer uma retirada estratégica.
O Maestro Victorino de Almeida, num gesto nobre, desafiou o vento e sentou-se ao piano, de cabelo esvoaçante, claro e como é apanágio de todos os maestros, mas aqui bem mais que o normal. E falou, deliciando quem o ouviu das cadeiras de plástico colocadas à sua frente... no "palco". Na perpendicular ao acontecimento, as escadas/assentos de pedra estavam plenas de gente. Não havia bilhetes, pagava-se com vento na cara.

Como quase todos, fiquei sentado em frente à cauda do piano cuja posição havia sido declaradamente orientada para satisfazer o público das cadeiras improvisadas colocadas no espaço cénico, destinadas aos lugares reservados e aos madrugadores. Um estranho espectáculo: a maioria do público, sentado nos locais previstos pela arquitectura, via a acção dos flancos. Perpendicular às colunas de som, não se percebi patavina do que o maestro disse. E depois, o vento. Estava gorado o momento, fui à procura de vinho fino e saiu-me zurrapa. Cuspia-a. Fodido, levantei-me e fui embora - podia ter usado algo legalizado pelo dicionário, mas não teria o peso que então coloquei na balança da decisão.

Virei-me para a cúmplice de todas as ocasiões e propus-lhe "vamos mas até ao Parque de Urbano de Albarquel". Aprovada a proposta por unanimidade, demos no caminho com o falado desvio de trânsito na avenida. Um pequeno engarrafamento na zonas dos bares e um ameaço de "buzinão", a forma punheteira da revolta nacional se manifestar.
Prosseguindo em direcção ao plano alternativo, ainda longe do destino já se fazia ouvir a "pimbalhada" aos berros no Parque de Albarquel. O exercício das pernas reclamaria os neurónios, "parece o destino a chamar, arrepiemos o passo".

Ficámo-nos pela novel e recém-inaugurada "Praia da Saúde". Aí, vi-o pela primeira vez ao catrapázio camarário que adverte para não se ir a banhos naquela "praia" devido a "fundões" e "objectos cortantes" herdados da reparação naval ali ocorrida. Um aviso seriamente desrespeitado pelas centenas de pessoas vencidas pelo calor e pelo excesso de ar na carteira. Ali e ao lado, entre as embarcações fundeadas frente ao Parque Urbano de Albarquel, onde está um aviso análogo. "Praias" onde não se pode tomar banho...

Epílogo.
Um auditório que repele artistas e espectadores; um parque urbano onde, sem o aviso prévio que permite escolher a companhia, se submete a mansidão do vai-vem das ondas ao ruído de feira propagado por um bar - como se fossem donos do espaço! "Vamos mas é para casa ver um filme", proposta aprovada com aclamação.

Do outro lado do Rio Sado, a uma travessia ao preço de duas no ferryboat "Coca-Cola", os "mamarrachos" e o casino de Tróia reluziam coloridos. Pareciam gozar.
Como se o filho-da-mãe do Belmiro se estivesse a rir de nós.

(este texto foi editado em 24-07-2012)

17.7.12

A Música está mais pobre, morreu Jon Lord


Jon Lord, um dos fundadores e teclista dos Deep Purple, desapareceu ontem aos 71 anos de idade, vítima de uma embolia pulmonar, após uma longa batalha contra um cancro no pâncreas. (link para a notícia no "Público")



video

Ainda com os Deep Purple, em Moscoco em 1996.
Um solo de Jon Lord antes de "When A Blind Man Cries",
um clássico da banda.


Jon Lord (nascido em 1941) foi um dos ídolos musicais da geração que teve o privilégio de viver a melhor fase de sempre da música rock, não?, pelo menos no que aos diversos géneros de Rock Progressivo diz respeito, sem dúvida alguma. A forma inconfundível como tocou o seu "Hammond" nos Deep Purple - em "Child In Time" e "Smoke On The Water", só para lembrar alguns temas mais conhecidos - colocou-o no "top" dos debates adolescentes sobre quem era o melhor teclista. Uma escolha difícil, os "Pink Floyd", os "Yes" e os "ELP", e outros tantos que deixaram o seu nome bordado a ouro na memória da geração de 70 do século passado, foram contemporâneos da fase "histórica" dos Deep Purple.

Menos conhecida dos fãs da música "rock" são as incursões que  o teclista fez na música clássica, mesmo quando ainda fazia tournées com os "Deep Purple". Todavia, foi a esse género que o compositor Jon Lord dedicou os últimos tempos da sua vida.
Acabo, deixando aqui, retirado do "YouTube", o tema "Morning", de "Durhum Concerto" (2007).
O resto do concerto pode ser ouvido aqui.



12.7.12

Após 52 dias no interior da mina, os sete mineiros de Santa Cruz foram rendidos


Os sete mineiros grevistas que ocuparam a mina de  Santa Cruz del Sil, em León, abandonaram ontem, por recomendação médica, o local onde estiveram nos últimos 52 dias. Ao saírem da mina, os trabalhadores do carvão foram recebidos como heróis pelos outros grevistas e pela população. Foram rendidos por cinco dos seus camaradas, de Bierzo, que continuarão a greve indeterminada no interior da mina.

Ler artigo (castelhano) e ver vídeo aqui (link para o jornal "Público", de Espanha)

11.7.12

Esta é a Espanha que não era Portugal tal como Portugal não é a Grécia


"[...] Um severo ajuste, quase similar ao que aplicaram nos países resgatados como Grécia e Portugal, que supõe cerca de 65.000 milhões de euros em dois anos. Os cortes, sem piedade com os desempregados, incluem a redução do subsídio de desemprego, uma subida do IVA em, três pontos percentuais [para 21%], a eliminação do subsídio de Natal [13º mês] para os funcionários públicos e a eliminação do subsídio de nascimento e uma aceleração da reforma das pensões [...]".


 Ler o resto, em castelhano (link para o "Público", Espanha)


E tudo começou com um resgate "perfeitamente normal" aos bancos, lembram-se?


Entretanto...
SETE DETIDOS E FERIDOS
EM CONFRONTOS COM OS MINEIROS
EM MADRID
(Imagem do "público", Espanha)

Veja aqui imagens dos confrontos,
e também da grandiosidade da manifestação
que, obviamente, foi escondida pela TV portuguesa...
(link para o "Público", Espanha)

Esta Greve dos Médicos serve os doentes

Apesar da tradicional cobertura noticiosa com enfoque nos "prejudicados", procurando virar a opinião pública contra a luta dos Médicos, ninguém, comunicação social arregimentada ou o ministro que chegou a ameaçar com a Requisição Civil, pode esconder que a Greve dos Médicos teve uma adesão histórica.
E, pelo que é dado ler nas entrelinhas dos noticiários, uma greve bem organizada quanto ao nível dos serviços a prestar e no que refere ao nível da mobilização, pois contou mesmo com a participação de médicos que estavam de férias e vieram aos seus locais de trabalho para explicarem os motivos da greve aos utentes.

Sendo que uma das reivindicações da greve é o fim da contratualização dos médicos através das empresas de trabalho temporário (que se têm reproduzido como cogumelos sobre o esterco legislativo em matéria laboral produzido por este e pelo anterior governo), esta greve não é só pelos direitos de um sector profissional, é uma greve por todos nós que só temos o Serviço Nacional de Saúde para nos defender das doenças.

Será o suficiente para nos defender da doença terminal induzida no SNS, do cancro da privatização encarnado por este governo e pelo ponta-de-lança das seguradoras, Paulo Macedo,  a quem foi entregue o Ministério da Saúde? A ver vamos.

Depois do escândalo de se saber que havia Enfermeiros "Low-Cost" (baixo custo) a trabalharem por 3,96 euros por hora em centros de saúde dos distritos de Lisboa, Setúbal e Santarém, e que parte substancial do pagamento por esse "serviço" era entregue pelo Ministério da Saúde (por nós!) às tais empresas de "trabalho temporário", a questão está na ordem do dia.
Mesmo que, no caso dos enfermeiros, o governo se tenha "comprometido" a "indexar o valor a ser pago aos enfermeiros pela tabela em vigor para a carreira de enfermagem" - compromisso que tem o valor que tem, vindo de um governo que encara a verdade de forma tão relativa como a malta do futebol -, o horizonte reivindicativo deve ser mais profundo e abrangente:
Pelo fim da contratualização de serviços a empresas externas de funções que fazem parte da Função Pública. No Ministério da Saúde, da Educação e... nas câmaras municipais (vocês sabem do que estou a falar!)

E, já agora, porque não investigar as ligações dos "negreiros", a quem fez legislação que os protege e promove? Somos todos cegos, é?!

"Se não há solução haverá revolução"

Mineiros entram em Madrid. Milhares aguardavam a "Marcha Negra"
num gesto emocionante de Solidariedade de Classe.
Ver mais imagens aqui e artigo (links para a página do "Expresso")





Convocatória para a recepção madrilena aos mineiros,
encontrada aqui. (link para a página da "Izquierda Anticapitalista")

Em homenagem aos Mineiros Asturianos


 ( Vídeo retirado do YouTube)

 Santa Bárbara bendita

Com uma letra profundamente emocional, triste e heróica, geralmente cantada a cappella por um coro masculino, "Santa Bárbara Bendita" transformou-se num símbolo dos mineiros de carvão das Astúrias e dos mineiros em geralTambém usada como um hino da Classe Operária, "Santa Bárbara Bendita" foi amplamente utilizada durante a revolta dos mineiros das Astúrias de 1934 e durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1938).

Geralmente cantada em
asturiano ou em castelhano, ou numa mistura das duas línguas, a letra da canção descreve o doloroso retorno a casa de um mineiro, ainda coberto com o sangue dos seus companheiros, que conta à sua esposa (Maruxina) um acidente na "Pozu Maria Luisa", uma famosa mina das Astúrias localizada em Ciañu, Langreo.
As mineração do carvão, presente nas Astúrias desde o século XVIII, tem tido um papel central na actividade
económica desta região, é conhecida por ser uma actividade muito perigosa. A população mineira tem sido afectada desde sempre por acidentes mortais e as minas das Astúrias já reclamaram a vida a centenas de mineiros. A canção é frequentemente usada em funerais, tributos e homenagens.

"Santa Bárbara bendita" é hoje considerada uma peça importante da música tradicional das Astúrias e está incluída com destaque no repertório musical desta nacionalidade do Estado Espanhol.

(Texto adaptado da entrada sobre "Santa Bárbara Bendita" incluída na Wikipédia, em inglês. A letra da canção que a seguir se coloca tem a mesma origem)

 Santa Bárbara bendita

           (versão original asturiana)

Nel pozu María Luisa
Trailarai larai, trailarai
Nel pozu María Luisa
Trailarai larai, trailarai
Morrieron cuatro mineros
mirái, mirái Maruxina, mirái
mirái como vengo yo
Traigo la camisa roxa
Trailarai larai, trailarai
Traigo la camisa roxa
Trailarai larai, trailarai
De sangre d'un compañeru
Mirái, mirái Maruxina, mirái
mirái como vengo yo
Traigo la cabeza rota
Trailarai larai, trailarai
Traigo la cabeza rota
Trailarai larai, trailarai
Que me la rompió un barrenu
Mirái, mirái Maruxiña, mirái
mirái como vengo yo
Santa Bárbara bendita
Trailarai larai, trailarai
Santa Bárbara bendita
Trailarai larai, trailarai
patrona de los mineros
Mirái, mirái Maruxina, mirái
mirái como vengo yo
Patrona de los mineros
Mirái, mirái Maruxiña, mirái
mirái como vengo yo

5.7.12

Diz-me o que promoves, dir-te-ei quem és

Comentário à crónica de Daniel Oliveira "A tourada e o bom senso, publicada hoje no "Expresso


 
Comparar os Direitos dos Animais com os Direitos Humanos não é produto da mente (doentia, acho eu) de quem se apieda mais depressa por um gato vadio do que por um miúdo sem abrigo a quem a natureza não ensinou a caçar “ratos”. Muito menos dos que “comparam as touradas às agressões a mulheres”, um argumento que incomodou o Daniel.

Não se faça desentendido: uma tourada não é só um divertimento inocente com os bichos, uma espécie de rambóia com o cão…  é  uma representação, bem gráfica, de Valores. Ou marialvismo e machismo, não lhe dizem nada? Não veja na Tourada só a beleza das palavras de Hemingway.

Quem faz tal comparação é quem mede a importância do sofrimento infligido consoante a capacidade do ferido reagir à dor.
Talvez isso explique por que um amante de touradas tenha o seu cão em tão boa conta que não se lembre de experimentar sobre o dorso do canídeo a sua paixão à laia de um puto que dá um pontapé numa caixa de cartão e grita “golo, ou que o feroz anti-touradas vá à sua vida deixando o seu animal preso no apartamento a ganir o dia inteiro, dando conta da cabeça dos vizinhos. Longe dos ouvidos, longe do coração. Se os touros fizessem um eco bem audível do seu sofrimento, a tourada teria menos piada, até o mais empedernido se questionaria se a tradição não deve mudar de acordo com a percepção que vamos tendo sobre as consequências dos nossos actos sobre as outras espécies.
É que até a qualidade do matador de porcos à moda tradicional se mede pela capacidade de matar o animal de uma só estocada, para não lhe dar sofrimento desnecessário – aqui, quem se entretenha com acto, tem um nome: sádico.

Quanto ao essencial da sua crónica, já alguém aqui alguém perguntou, e bem, se o parlamento não tem autoridade para questionar o que passa nas televisões (não só na RTP). Não foi o parlamento que legislou a proibição da publicidade ao tabaco? Fê-lo bem! Olhe, até sou fumador.

Não entre pelo apoio das câmaras municipais: Em Setúbal (executivo do PCP), pagou-se pela montagem de uma praça de touros e do espectáculo para duas horas(?) mais do que custa o Festival de Teatro local que dura quinze dias… numa cidade sem a tradição tauromáquica dos concelhos vizinhos. Nada de novo, já o PS havia enfiado a martelo a “tradição” das marchas populares, coisa que o Estado Novo não havia conseguido. Uma indústria.

A tradição… deixemo-nos de tretas, é aquilo que os poderes (comunicação social incluída) querem. Lembro-me de um Professor, bem conservador aliás, que disse perante a “promoção” das capas negras, numa escola a centenas de quilómetros de Coimbra: Eis os fabricantes de tradições.
 Deixe que lhe diga que não sou vegetariano mas que me interessa a forma como são criados os animais que consumimos. E que o que opiniei sobre Setúbal também é válido em Salvaterra de Magos, se tal discrimação cultural ocorrer. Esta, porque votei no Bloco de Esquerda.