15.6.06

Abriu hoje finalmente o acesso à Praia da Figueirinha.


Localizada numa das encostas da Serra da Arrábida, praia preferida de muitos setubalenses e de milhares de forasteiros que a buscam nos meses de calor, a Praia da Figueirinha tem tido desde há dois anos apenas as gaivotas a usufruírem do seu areal. A causa: mais um incêndio calcorreou impunemente as encostas da Serra da Arrábida.

“Impunemente” porque além da origem desconhecida dos autores do fogo os bombeiros tiveram de hierarquizar a sua intervenção de molde a proteger habitações que supostamente não deveriam estar naquele local ou daquela maneira.

De qualquer forma, o incêndio veio pôr a nu uma situação antiga, e que se manteve devido ao desleixo da miríade de instituições que "têm uma palavra a dizer" sobre a Serra a Arrábida e os seus acessos: o perigo de deslizamento de pedras.

É que o perigo de deslizamento de pedras, que a vegetação queimada veio agudizar, justificava há muito uma intervenção: Inverno após Inverno, bastava olhar com atenção para as valetas da estrada que vai de Setúbal até ao Portinho da Arrábida, via Figueirinha, para se ver a quantidade de pedras e terras que tinham deslizado encostas abaixo.

Mesmo tarde, o que interessa é que a intervenção está a ser feita, a encosta está a ser consolidada.

Quem quiser ir à Figueirinha terá de deixar o carro num parque junto ao cais da Secil e apanhar um autocarro, gratuito, até à praia. O usufruto da praia conviverá com as obras que ainda decorrem, há um horário para o funcionamento dos transportes e da praia: das 09h00 às 19h00.

Segundo o jornal digital “Setúbal na Rede”, Eusébio Candeias, assessor do presidente do município setubalense, afirmou que a situação do trânsito terá de ser reavaliada mercê da diminuição dos locais de estacionamento junto à berma da estrada.

Espero que a reavaliação seja feita com coragem. Ter coragem é proibir o trânsito automóvel privado naquela estrada durante o funcionamento das praias!

É que na época balnear, quando as estradas ficam engarrafadas por milhares de viaturas à procura de um intervalo nas dezenas de lugares disponíveis junto à praia, o perigo aumenta exponencialmente.

Se por um lado não se pode deixar de considerar o impacto negativo que a passagem de milhares de automóveis terá no equilíbrio da encosta da Serra, o que deve deixar petrificado qualquer responsável que seja responsável é a perspectiva de que um deslizamento, um acidente, um incêndio, qualquer ocorrência que necessitasse de socorro se poderia transforma numa tragédia, porque é literalmente impossível acudir o local devido ao congestionamento permanente do trânsito.

Há poucos anos, contra a opinião de muita gente que quer levar o popó até à água, obrigou-se o trânsito a passar num só sentido, das 07h00 às 20h00. Aproveitem a embalagem e proíbam o trânsito aos particulares durante o horário idêntico e dêem prioridade a transportes públicos - frequentes e com preços não especulativos.

Ao fim e ao cabo estamos num Parque Natural, né?

3 comentários:

Anónimo disse...

Concordo com tudo...proibir o trânsito de e para as praias é uma medida com muitos anos de atraso!Mas antes é preciso criar as devidas infraestruturas...já antes do incêndio existia este autocarro gratuito desde o parque da Secil até à Figueirinha (eu sei pk o usava, mas e quanto às restantes praias?Eu sou louca pelo Portinho, mas já sei que se não estiver a caminho às 8 da manhã não chego lá...e aqui, nem tenho sugestões....

Parabéns pelo Blog!

daniel arruda disse...

Só posso subscrever mas como referes no post é preciso coragem e olha que isso não abunda na Canmara de Setúbal e já agora onde é que foste buscar essa do transporte público a preços não especulativos.

Isso é bom e realizável mas não nas autarquias portuguesas. Até parece que não és daqui.

Um abraço e parabens pelo Blog.

CausasPerdidas disse...

Obrigado pela visita, Daniel. Peço desculpa por responder-te só agora, mas aí vai.
Preços não especulativos para mim, neste caso, são aqueles que não exorbitam os custos das pessoas em chegarem à praia, isto é, que cubram apenas os custos da operação.
A câmara de Setúbal, conforme alguém disse acima, já no ano passado manteve transportes gratuitos para a Figueirinha - segundo o que foi noticiado, vai fazê-lo este ano.
Neste caso concreto acho que decidiu bem.
Completando o que afirmei no "post", eu deixaria passar as bicicletas (claro!) e as motas. Não há é condições para a maré-cheia de automóveis, é incomportável e perigoso pelas razões que afirmei anteriormente.
A situação é bem mais complicada na Praia do Portinho e do Creiro: não sei por que carga-de-água alguém atribuíu à Santa Casa da Misericóridia de Azeitão a "exploração" do estacionamento no parque do Creiro (que também dá acesso ao Portinho); a explicação talvez seja a de que o Parque Natural da Arrábida não precisa de verbas...