12.11.09

A Vergonha dos Muros


Cartoon copiado do Blog Molotov (PSTU do Brasil)

Enquanto se festeja o aniversário da "Queda do Muro", ergue-se a Vergonha noutros locais do planeta. Na Palestina erige-se o mais ignóbil.
Não há muros justos. Se pensar por um pouco que os muros isolam pessoas e remetem-nas à condição de bestas, qualquer indivíduo(a) bem formado(a) indignar-se-á contra a sua construção.

Os muros são sempre construídos em nome da protecção de uns contra uns tantos, mas é ilusória a protecção que o betão armado constitui para os que têm força para construir muros.
Ao constituírem prisões para comunidades inteiras os muros não fazem mais que acentuar as causas da violência da qual supostamente pretendem constituir uma defesa.
Quem constrói muros sabe disto, não o faz por estupidez mas por um cálculo político que leve a tornar impossível a vida de quem pretende cercar e sujeitar. Não se trata de um engano de nefastas consequências com origem em boas intenções.

Se virmos a coisa noutra perspectiva, o muro cuja queda tem alimentado o foguetório mediático dos últimos dias, o que dividia a Alemanha, não servia só à RDA como a vulgata histórica pretende fazer crer. Dava também um jeitão danado para o controlo da "propagação" do "comunismo" aos que governavam o Ocidente - com a vantagem do investimento económico e o prejuízo político serem do outro lado. Além de justificar um nível de tensão militar que representou o lucro de um complexo militar-industrial que, conforme vimos nos últimos anos, tem uma capacidade terrível de fabricar inimigos e encontrar "novos mercados".
Mas era da vergonha que constitui o muro que Israel está a colocar à Palestina que se falava aqui.

"Ignóbil", sim. Quando quem constrói o muro na Palestina se viu no lugar do sitiado não há mais de sessenta anos, cada placa de betão erguida contra a viabilidade de um Estado Palestiniano é um escarro na memória dos que ficaram do lado de dentro do muro do Gueto de Varsóvia.

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