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28.10.12

Gente sem dentes não morde

 Governo suspende novos cheques-dentista a crianças e jovens (link para o jornal "Público")

Procurei e encontrei: "Projecto de Lei Nº 86/X, Consagra a Integração da Medicina Dentária no SNS e a Carreira dos Médicos Dentistas ",  apresentado pelo BE em 12 de Maio de 2005. Foi "chumbado" pela maioria absoluta do PS aliado à Direita. Em 22-02-2006, o "DN" dava conta: o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, Orlando Monteiro da Silva, considera os projectos [havia também um do... PP!] que visam criar uma carreira de médico dentista "estão fora de moda, num momento em que a saúde caminha para outro tipo de vínculos laborais, como o contrato individual de trabalho". Depois foi criado o "cheque" pelo PS. Desde aí já muita gente ficou sem dentes e muita empresa engordou.
No Parlamento da Madeira o BE apresentou projecto idêntico, igualmente chumbado pelo PSD de Jardim.

Falta de dentistas? Os dentistas emigram ou são os precários de quem tem dinheiro para montar consultórios.

Ainda no "Público", 27 de Outubro deste ano, reproduz-se a afirmação do (ainda) bastonário da Ordem dos Médicos Dentista, Orlando Monteiro da Silva, à Agência Lusa, preocupado com a redução dos cheques "é fundamental que este programa se mantenha porque é uma área que não tem alternativa nenhuma no âmbito do Serviço Nacional de Saúde no Continente".
Não há saco que guarde tanta hipocrisia!

“E agora vai ser novamente roubada”.

Uma septuagenária vítima de assalto teve de esconder que este foi o motivo da agressão que a levou ao Hospital de Vila Franca de Xira para não pagar 108 euros, além da taxa moderadora.
Jorge Santos, filho de uma idosa que foi agredida durante um assalto no dia 12, em Vila Franca de Xira, contou à Lusa que, quando chegou ao hospital para inscrever a mãe, um funcionário lhe disse: “E agora vai ser novamente roubada”.
Ler o resto (link para o jornal "i")

6.9.10

Serviço Nacional de Saúde uma conquista civilizacional.



Um segmento do documentário Sicko (2007) de Michael Moore, onde o oscarizado realizador norte-americano entrevista Tony Benn, membro da ala esquerda do Labour Party (Partido Trabalhista) Britânico, acerca do Serviço Nacional de Saúde naquele país.
Foi retirado do YouTube e está legendado em português do Brasil.

"Se pretendessem acabar com o SNS haveria uma revolução", diz Tony Benn em determinada altura. Não sei se os britânicos chegariam a tanto, já que os governos quando pretendem acabar com um Serviço Público qualquer a primeira coisa que fazem é subfinanciá-lo, "para combater os abusos" (um mistério porque atacam sempre os "abusos" e não os abusadores...), tomam medidas administrativas no sentido de o tornar ineficiente (enchem-no de "boys" e girls", por exemplo) até as pessoas acharem que o serviço é irrelevante para as suas vidas. Não há nenhum governo que acabe com uma coisa boa de uma assentada sem uma boa "campanha de imprensa" que inclui pôr os "comentadores" políticos e económicos a merecerem o que ganham.

Para justificar o afirmado, atente-se ao que se passa em terras lusas onde se deixa a defesa e o melhoramento do SNS àqueles onde não se vota. E pagam-se consultas no privado com o que não se tem, com dívidas.
Ou pagam-se com o que se tem, conseguido à custa da evasão fiscal. Aliás, é entre estes "chiquespertos" que abunda o "vox populi" que abana a cabeça às propostas privatizadoras do candidato Paços Coelho. Na cadeira desejada, José Sócrates faz juras de amor eterno ao SNS enquanto o vai... privatizando devarinho através de parcerias com o Privado ruinosas para o Público e amarrando a Saúde dos portugueses ao negócio das farmacêuticas.
Nunca a história das "faces da mesma moeda" se aplicou tão bem em política. Um e outro odeiam a única matéria em que o Estado, por Lei da República, deveria tratar ricos e pobres da mesma maneira.